22 de julho de 2009

Sem Título

Às vezes, me pego sonhando com sua pele. Com a textura dela. E fico sonhando em desenhar o contorno do seu corpo com meu dedo, para poder tatuar cada curva dele no meu cérebro. E fico aqui, imaginando qual será o aroma dele.

Às vezes, me pego sonhando com seus lábios. Delicados, vermelhos. E, de olhos fechados, corro pelo seu beijo, experimentando-o por horas, transformando ele no meu lar. Doce lar. E fico aqui, imaginando qual será o calor dele.

Às vezes, me pego sonhando com seus olhos. Brilhantes, falantes, sorridentes. E brinco em silêncio tentando adivinhar qual expressão eles assumiriam quando eu em você. E eu sempre erro. E fico aqui, imaginando quais seriam os sons deles.

Às vezes, me pego sonhando com seu corpo. Reluzente, vivo, único. E abraço você forte dentro da minha mente, pedindo para que nunca vá embora. Mas você sempre vai. E fico aqui, imaginando qual seria a cor dele.

Às vezes, me pego sonhando com sua voz. E fico escrevendo meu nome, pensando na forma que você o pronunciaria, com a boca colada no meu ouvido. Mas você sempre gagueja. E fico aqui, imaginando qual seria o calor da sua boca.

Às vezes, me pego sonhando com seu cheiro. E fico me testando, tentando decifrar se ele é doce, se é forte ou suave. E me debruço, procurando pelo seu rastro, mas nunca encontro. E fico aqui, imaginando qual seria a cor do seu toque.

Às vezes, me pego sonhando com seu toque. Calmo e impulsivo. Dia de Sol e tempestade. Distraído, esfrego um dedo no outro, tentando adivinhar qual deles seria você. Você é sempre o outro. E fico aqui, imaginando você.

Às vezes, me pego sonhando com você. Da forma mais pura e obscena do mundo. E fico esperando por você, mas você nunca vem. E fico aqui, sonhando com você.

Assim, me resta apenas escrever – mas você é tão sagrada para mim, que não uso a palavra sexo, nem mesmo no título. Você merece outra palavra, que ainda está para ser inventada.

Mas, que na verdade, eu já inventei.

Junto com você.

2 leitores:

Leandro disse...

muito legal!!

Ana disse...

"Às vezes, me pego sonhando com seu cheiro. E fico me testando, tentando decifrar se ele é doce, se é forte ou suave. E me debruço, procurando pelo seu rastro, mas nunca encontro. E fico aqui, imaginando qual seria a cor do seu toque."

Essa é uma das frases mais sensoriais que eu já li em toda a minha vida! É escrever sensorialmente, ter o sentido do tato nas palavras, é algo que só a semiótica pode proporcionar...

...ou um texto escrito assim, cheio de hipoteses sensitivas.

 

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