18 de junho de 2010

Terapia

Vagava perdido pelas ruas e pelos pensamentos durante horas. Queria o que não tinha e queria mudar alterar o que tinha. Perdido em sonhos, pensamentos e ilusões, não caminhava, mas sim flutuava entre as outras pessoas, sem criar raízes, sem encontrar um lugar que reconhecia como seu. Às vezes fazia rir, às vezes chorava baixinho. Atravessando avenidas com as mãos no bolso, bolava poemas e canções e cartas de amor e desabafos dentro da sua cabeça, em páginas imaginárias que formavam livros de sucesso. E, claro, pensava na vida. Nos amores, no futuro, nos problemas do presente e no disco que queria comprar. A cada hora queria algo, a cada dia tinha um novo sonho. Cada dia tinha uma cor, cada hora tinha um amor. Não era ninguém, era todos ao mesmo tempo. Não andava, flutuava impulsionado pelo vento das suas paixões, das suas ideias. Não se prendia a lugar algum, a sonho algum, a vida alguma. Até, claro sentar no computador e começar a escrever. Ali estavam suas raízes. Ali, deixava de ser ninguém, deixava de se todos, para se tornar apenas um: apenas e para sempre apenas ele.

2 leitores:

Melinda Bauer disse...

Este personagem não é fictício! Acho que todo mundo já encontrou com ele andando por aí... :)

Eryck Taques disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
 

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