19 de julho de 2009

Egoísmo

Claro que eu quero que você melhore, mas... Posso ser egoísta? Eu queria mais ainda que você ficasse doente aqui.

Porque aí eu poderia montar um verdadeiro esquema de guerra para cuidar de você. Deixaria você deitada na cama, coberta até o queixo e ficaria lendo para você, ou levaria um jogo para o quarto e ficaríamos jogando (eu deixaria você ganhar!) até você reclamar de sono e querer dormir.

E aí eu ficaria como um cão de guarda impedindo a entrada de qualquer pessoa no quarto. A única pessoa que entraria no seu quarto seria eu, e eu faria com cuidado, de meias, para não te acordar, e apenas para ver se você está dormindo e se está coberta – e se não estiver, cobriria você com cuidado, para não te acordar.

E, quando você dormisse, eu colocaria a televisão num volume baixo e todos os celulares no modo de vibrar, e deixaria todos eles longe de você. E qualquer pessoa que ligasse para você teria que resolver o assunto comigo, porque “ela está dormindo e eu não vou acordá-la”.

E ninguém poderia entrar no quarto. Eu ficaria como um cão de guarda ali, proibindo as pessoas de atrapalharem seu sono.

Eu só sairia da porta do quarto para ir rapidinho na rua comprar frutas e remédios – porque isso eu não deixaria faltar. E traria também revistas e um chocolate, que eu usaria como barganha para você comer todo seu almoço (“toma o suco, pelo menos!”). Prepararia seus remédios e, a hora que você quisesse dormir de novo, eu tiraria sua temperatura.

E se você estivesse com febre, eu faria cafuné até você dormir.

E, de madrugada, eu acordaria em todos os momentos que você se mexesse na cama, para ver se você está bem. E teria programado o despertador para todas as horas que você precisaria tomar remédio, e diria que “deixa que eu pego, fica aí no quentinho”.

E acordaria mais cedo para preparar seu café e o deixaria pronto, na bandeja mais bonita do mundo, para levar para o quarto quando você acordasse, junto com um jornal – eu leria seu horóscopo em voz alta porque sei que você gosta. E se eu tivesse que sair para comprar mais remédios ou frutas, eu deixaria o celular do seu lado, pedindo “qualquer coisa, me liga, e eu volto correndo”. Isso se você estivesse acordada. Se estivesse dormindo, eu deixaria junto com um bilhete, explicando onde fui e “não demoro, te amo muito”.

E, quando você melhorasse eu iria levar você para almoçar fora. Almoçar. Jantar não, por causa da friagem. E, como você ainda não está 100%, é melhor voltarmos logo para casa. Vamos rapidinho na livraria comprar aquele livro novo que você queria. Porque, se você ficar ruim de novo, eu leio o livro para você até você melhorar. Por que você sempre iria melhorar.

O meu egoísmo é tão egoísta que ele não admite que ninguém mais cuide de você. Desculpe.

8 leitores:

Rafaella Weiss disse...

lindo demais esse texto. principalmente a última frase. parabéns, rob!
beijo

Isabella disse...

QUE LINDO!!!!!!!

MaxReinert disse...

Poisss... eu sei como é!

Layla Barlavento disse...

As vezes duvido que você exista... Belo texto. Parabéns.

Layla Barlavento
culpadowalter.blogspot.com

Ana disse...

Algumas pessoas possuem um tipo de egoísmo construtivo, bonito e este é o egoísmo digno, no sentido mais puro da palavra.

É bom ver pessoas assim, que possuem este tipo de egoísmo leve, que se mistura com o sentimento mais legal de todos. O carinho. Ou amor. Ou o que seja.

Hanna Corrêa disse...

Muito bom o texto, cara. E muito bonito também *-*

Mas me deu agonia só de imaginar um carinha a todo momento perguntando se eu to bem, não me deixando levantar da cama, medindo minah temperatura, etc e tal. o.O

Barbarella disse...

Um homem assim... Fake, certeza!

rsrs

Nathi disse...

Acompanho seu blog e resolvi dar uma passada aqui... lá, o bloqueio criativo também me afeta e eu nunca sei o que comentar... mas aqui... só uma palavra me veio à cabeça e eu não poderia deixar de dizer: LINDO.
Parabéns!

 

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