10 de julho de 2013

Bonus Track #2

Assim como eu havia feito aqui, apresento mais um texto que acabou não sendo utilizado em um freela. Trata-se de uma ideia para outro vídeo, todo construído em cima de uma narração em off - os únicos elementos tirados do texto original era a presença do produto e a identificação de um personagem que seria a "cara" da campanha. Fora esses detalhes omitidos do texto, o que vocês lerão abaixo é o material enviado originalmente, que acabou "perdendo a disputa" para outro roteiro.




Toda a parte em itálico é uma narração em off, que descreve (e contextualiza) exatamente o que está sendo visto na tela. As três cenas (Marcelo, Lúcia, Roberto) vão se alternando simultaneamente, conforme a narração indica.

Desde o começo do dia, Marcelo planejou tudo direitinho. Pensou em cada detalhe e cumpriu à risca cada uma de suas obrigações, sempre de olho no relógio e cuidando do horário. Mas tem coisa que escapa do nosso controle.

Por exemplo: o Walter, um taxista que Marcelo nunca viu na vida, ficou doente sem mais nem menos. Nem conseguia sair da cama e seu filho, Roberto, teve que trabalhar em seu lugar. O mesmo aconteceu com a Lúcia, que, quando acordou de manhã, nem imaginava que do outro lado da cidade o currículo que ela mandou para uma empresa cairia no chão por causa do vento que entrava na janela.

E o Marcelo ali, trabalhando a todo vapor, e de olho no relógio.

Assim, foi mais ou menos isso que aconteceu. O Jonas, que precisava de uma garçonete nova no seu bar para começar naquele dia mesmo, apanhou o currículo que caiu da pilha da mesa. Achou que era um golpe de sorte e resolveu ligar para a dona do currículo e marcar uma entrevista para o mesmo dia. Do outro lado da cidade, a Lúcia desligou o telefone feliz da vida e começou a se arrumar correndo. Colocou uma roupa bonita, arrumou o cabelo e saiu correndo para pegar um táxi no ponto da esquina.

Mas o ponto estava vazio.

E o Marcelo terminou uma reunião bem no horário programado.

Para sorte da Lúcia, quem estava passando por ali era o Roberto, dirigindo o carro do pai. A Lúcia fez sinal, ele parou e ela subiu no carro. Deu o endereço e o Roberto, que não conhecia nada daquele bairro, começou a entrar numa rua aqui, em outra rua ali, procurando por uma avenida. Assim, ele parou num posto de gasolina para pedir informações, e o frentista indicou o caminho. O Roberto agradeceu e a Lúcia, de olho no relógio, sorriu aliviada.

E o Marcelo terminou de mandar os últimos e-mails do dia e olhou o relógio, enquanto se levantava da mesa para ir embora.

O Roberto acertou o caminho, mas descobriu que uma rua estaria em obras e fechada. Assim, ele precisou fazer um desvio e dar a volta no quarteirão, no momento em que Marcelo saía do elevador. Marcelo cruzou o saguão, sem ser visto pelo entregador que entrou no prédio procurando por ele para assinar um pape, e chegou à porta junto com uma senhora de idade. Marcelo interrompeu o passo e abriu a porta para ela, deixando- a passar primeiro. Logo em seguida, atravessou a porta e pisou na calçada...

(Marcelo sai do prédio e leva um banho, por causa de um taxista que passou em cima de uma poça de água. Encharcado, ele tem tempo de ver apenas que o taxista é jovem (Roberto) e tem uma passageira (Lucia) no banco de trás.)

Pronto. Agora, o tempo do Marcelo ficou curto e ele vai ter que mudar todo seu planejamento. Enquanto o Roberto deixa a Lúcia no endereço certo, agora o Marcelo precisa arrumar um táxi e ir para casa, entrar no prédio, subir no elevador. Enquanto a Lúcia é contratada, Marcelo entra em casa, colocar uma roupa seca, sair do apartamento, pegar o elevador, sair do prédio e conseguir outro táxi.

(Marcelo pega o táxi dirigido por Roberto, que está passando em frente sua casa. O táxi viaja até onde Marcelo vai, deixando-o na frente de um bar. Marcelo olha no relógio e entra no bar.)

Tem coisas que sempre escapam do nosso controle.

(Numa mesa no meio do bar, com ambiente sofisticado e charmoso, seus amigos estão esperando por ele. São três e já estão bebendo há algum tempo, com copos e uma garrafa de uísque na mesa. Assim que ele chega, começam a gargalhar e aplaudir. Um deles dá uma nota de dinheiro para o segundo, que sorri e diz: “eu sabia que ele ia atrasar! Você nem devia ter apostado!” O terceiro amigo, rindo alto, grita diretamente com Marcelo: “Toda vez você atrasa! É impressionante! Toda quinta-feira é assim!”)

Mas a vantagem de ter grandes amigos é saber que tudo sempre acaba bem.

Marcelo sorri e senta-se, sendo cumprimentados pelos amigos. Vira-se para a garçonete e pede um copo com gelo. O espectador vê que a garçonete é Lúcia.

1 leitores:

Elise Garcia disse...

Uau. Essa narrativa é genial! :D

Quero ser igual a você quando eu crescer, sabia?

 

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