26 de junho de 2013

Bonus Track #1



Este texto é um roteiro para vídeo de uma campanha publicitária que acabou sendo descartado. Como manterei a marca em sigilo, basta vocês saberem que o tema central do vídeo era companheirismo, algo que representei pela passagem do tempo.

São de quatro amigos (Lucas, Renato, Fernanda, Gustavo) que estão jogando pôquer na casa de Gustavo. A câmera está no meio da mesa, fazendo um travelling no sentido horário e acompanhando cada jogador conforme a partida avança – exatamente da forma indicada nos diálogos. Apesar do jogo ter continuidade (nas cartas e valor das apostas) cada vez que a câmera completa uma volta na mesa passa-se um ano.

Esta passagem do tempo fica evidenciada não apenas nos diálogos, mas nos personagens, já que a cada volta, suas roupas e cabelos mudam, e eles estão mais ligeiramente mais velhos. Para facilitar a visualização, eu pulo uma linha a cada volta completa, indicando quando se passa um ano.

Na primeira volta da câmera, todos eles já estão com as cartas nas mãos, prontos para apostar.

Lucas: Fernanda, você já jogou pôquer antes?
Renato: Pôquer não é jogo de amadores.
Fernanda [rindo]: Eu aprendo enquanto jogo.
Gustavo [telefone]: Só um minuto, amor. [tira o celular do ouvido e fala para Lucas] Lucas, você que começa.

Lucas: Eu aposto dez.
Renato: Dez? Você está blefando, com certeza. Mas eu pago.
Fernanda: Como a gente sabe quando alguém está blefando? Seus dez.
Gustavo [gritando para “a porta”]: Amor? Tem uísque aí na sala ainda? [olhando a mesa] Eu aumento cinco.

Lucas: Seus cinco. Agora, Fernanda, você tem que pagar esses cinco do Gustavo.
Renato: Sem dicas, pessoal. Se ela está jogando, tem que jogar sem ajuda.
Fernanda: Ninguém precisa me ajudar. Olha aí, seus cinco.
Gustavo: Eu troco duas cartas.

Lucas: Duas? Eu troco duas também. Renato?
Renato: Troco três.
Fernanda: Três? Esse aí não tem nada.
Gustavo [falando com a mulher ao lado dele. Não vemos o rosto dela, mas ela está grávida]: Está tudo bem, mesmo? Se você quiser, eu saio para comprar o abacate. [A mulher recusa e agradece. Ele volta a olhar a mesa]. Trocar? Espera, deixe eu ver aqui. Eu quero.… Hum... Eu quero uma.

Lucas: Eu aposto quinze.
Renato: Você enlouqueceu? Eu estou fora! [joga as cartas na mesa]
Fernanda: Eu aposto seus quinze... Mais vinte.
Gustavo [está com um bebê no colo]: Trinta e cinco? Eu vou ter que apostar o bebê, daqui a pouco! [joga as fichas na mesa]

Lucas: Aqui, Fernanda. Seus vinte... Mais vinte.
Renato [indignado]: Ei! Vocês ganharam na loteria e eu não fiquei sabendo?
Fernanda: Eu acho que você está blefando. Eu tenho certeza!
Gustavo [com um carrinho de bebê ao lado]: Fala mais baixo, gente. O bebê está dormindo.

Lucas [desafiador]: Se você acha que eu estou blefando, paga para ver.
Renato: Eu vou pegar mais uísque. Quem quer?
Fernanda: Eu quero. Aqui, seus vinte. Mais dez.
Gustavo [com a filha de dois anos no colo]: Fica aqui com o papai, filha. Quanto eu preciso apostar, então?

Lucas [apostando os dez da Fernanda]: Eu pago. [para Gustavo] Os meus vinte mais os dez da Fernanda.
Renato [indignado, servindo uísque para Fernanda]: Vocês trabalham com o quê? Petróleo?
Fernanda: Aposta logo. Quero ver essas cartas do Lucas.
Gustavo [a filha está em pé ao seu lado, ela tem três anos idade]: Trinta? Pessoal, eu tenho filho para criar.

Lucas: Fica tranquilo. A Fernanda não tem carta nenhuma.
Renato [sussurrando para Lucas]: Olha, não sei não. Ela parece estar segura.
Fernanda [rindo]: Vai, Gustavo.
Gustavo [olha para a filha, que tem quatro anos, ao seu lado]: Filhinha, você acha que o papai vai ganhar do Tio Lucas e da Tia Fernanda? [a garota faz que sim com a cabeça. Ele joga as fichas na mesa]. Está aqui.

Lucas: Está aqui. Um par de seis.
Renato: Você estava blefando! O tempo inteiro! Maldito! Eu podia ter vencido!
Fernanda [gargalhando]: Eu também estava! Tenho um par de oitos!
Gustavo: Vocês dois estavam blefando o tempo inteiro? Eu sabia!

Lucas [rindo]: Faz parte do jogo!
Renato: Quando a Fernanda aprendeu a blefar?
Fernanda: Como assim, quando eu aprendi? Faz anos que vocês me ensinaram a jogar pôquer!
Gustavo [rindo]: Vocês só blefam!

Lucas: A Fernanda mexe no cabelo quando está blefando!
Renato [com cara de surpreso]: Mexe?
Fernanda: Mas não adiantou nada você saber isso. Eu ganhei do mesmo jeito. [começa a recolher as cartas da mesa]
Gustavo: Fernanda? [mostra as cartas para ela. É uma trinca de ases. Faz cara de vitória!]

Lucas: Como assim, você ganhou? Você não aumentou a aposta nunca!
Renato: Ele estava blefando sem blefar! É um gênio!
Fernanda: Faz anos que você ganha sempre!
Gustavo [rindo / se desculpando]: Que eu posso fazer? Minha filha me dá sorte!

Lucas: Vamos jogar mais uma?
Renato: Desta vez eu vou blefar também! Podem ter certeza!
Fernanda [para Lucas]: Eu mexo mesmo no cabelo?
Gustavo [vira para a porta e grita]: Filhinha! Vem ficar aqui com o papai!

1 leitores:

Alex Gemeos disse...

Muito bom me fez recordar da minha mesa com uns amigos...
Cerveja charutos e Rock...
Bons tempos...

 

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