6 de agosto de 2012

Platônico


Eu me lembro da primeira vez que você apareceu na minha frente.

Você desceu correndo as escadas do pátio para a cantina, fugindo da chuva. E quando uma amiga sua, gargalhando, chamou seu nome eu me virei e olhei na sua direção. Você estava encharcada, com os cabelos molhados e sorrindo o sorriso que mudou minha vida para sempre.

De repente o resto do mundo se tornou embaçado, e sobrou apenas você na minha frente. Tudo o que eu sabia sobre você era seu nome, e tudo o que eu sabia sobre mim é que eu era seu. Para sempre.

De lá para cá, eu vi você cruzar meu caminho no pátio e nunca consegui me acostumar direito com a sua presença. Sempre que você aparecia na minha frente, meu coração disparava, meu estômago congelava e eu tinha a certeza de que você não apenas estava no meu caminho, você era o meu caminho. E eu morria de medo dos meus amigos perceberem que eu não conseguia tirar os olhos de você.

Assim, eu nunca disse isso para ninguém. Nem para você. Sempre fiquei quietinho, abraçado com o segredo mais valioso que eu possuía: o seu nome, que descobri quase por acaso na cantina.

Mas eu odeio os dias que não te vejo. Sempre que estou na escola, fico torcendo para te ver. Sempre que estou em casa, fico torcendo para voltar logo para a escola e torcer para te ver. Então, tomei uma decisão: sempre que eu não encontrar você, vou escrever uma carta para você.

Agora, estou no pátio, escrevendo esta carta para você no meu caderno (eu menti aos amigos, disse que precisava terminar uma lição). Assim eu consigo me sentir perto de você.

E eu prometo para mim mesmo, o tempo inteiro, que um dia eu vou criar coragem e contar a você que o jeito que você coloca o cabelo atrás da orelha depois de sorrir é a coisa mais linda que eu vi na vida, apesar de que para você isso deve ser algo tão comum que você nem repara quando faz.

Porque eu tenho certeza de que cada coisinha você faz é a coisa mais linda do mundo. E eu sei que é impossível tantas coisas serem as mais bonitas do mundo, mas no seu caso é verdade, porque você não é um mundo, você é um monte de mundos. Um mais bonito que o outro.

E esse vai ser o nosso segredo.

E agora eu preciso parar de escrever porque estou vendo você vindo na minha direção. E quero ficar aqui, quietinho e olhando você, sem nada me atrapalhando. Amanhã, caso você não apareça, eu escrevo outro texto, não tem problema. Porque eu tenho muito para falar sobre você, textos e mais textos, cartas e mais cartas.

E, se um dia você ler isso, saiba que eu parei de escrever para te olhar, mas não perdi este texto que ficou pela metade.

Eu não perdi o texto porque você apareceu na minha frente.

Eu ganhei o dia porque posso olhar você um minutinho.

8 leitores:

ManiiPaulista disse...

Lindo, Rob.

Guilherme Fabro disse...

Baita texto Rob, mais um ne.

Adônis disse...

Gostei, muito bom... nos remete às nossas paixões de colégio, tão simples, mas tão inesquecíveis.
Abraços

Bonaldi disse...

Delicado, sensacional.

Varotto disse...

Quem não passou por isso?

É claro que nem todos conseguiriam colocar tão bem no papel.

Cinematográfico.

Dúh disse...

Boa Rob, muito bom !

Sagittarius. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lara disse...

Que lindo... Vou confessar que, lendo isso, fiquei com vontade de ser a garota do texto.
Parabéns pela sensibilidade.

 

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