9 de outubro de 2011

Manhã de Domingo

Sentado na pequena escada, ele olha a rua.

É domingo, poucos carros passam. Dentro deles, famílias visitando famílias, obedecendo à regra dos domingos.

Mas as pessoas estão sempre lá. A dona de casa que passa com a sacola de compras e a avó que passeia com a netinha lhe dão bom dia. Ele responde com um sorriso. O senhor de idade da casa em frente, ao sair com o carro, já dá mais que bom dia: pergunta se ele está bem e conversa dois minutos sobre o tempo. Diz que vai chover e, da escada, ele concorda.

Mas há aqueles que não cumprimentam. São os que passam apressados, trancados dentro de seus próprios pensamentos, e sequer reparam que ele está ali, observando o mundo. Passam pensando sobre a conta de luz, sobre hoje ser o dia de ligar para os pais, sobre ir ao cinema ou ficar em casa vendo um filme.

É domingo, poucas pessoas passam. Mas cada uma delas é um mundo completamente diferente. Cada uma tem seus sonhos e medos.

E, mesmo assim, caminham de domingo na calçada à frente dele. Alguns sorriem para ele; outros nem o olham. Alguns olham para o céu, sonhando; outros, para o chão, pensando. Uns estão sozinhos; outros, de mãos dadas. Alguns passam em silêncio, outros, no telefone. Mas todos eles passam com aquela velocidade preguiçosa de domingo, quando não há pressa para nada, quando não há compromissos ou conta para pagar.

Porque eles sabem que, na verdade, todo domingo é um novo começo.

E justamente quando o cachorro da vizinha passa pela calçada cheirando tudo e brincando de investigar o mundo que a porta atrás dele se abre, e ela lhe dá bom dia.

- Quer um café?

- Oi. Quero. Mas vou tomar aqui na escada.

- Não quer tomar aqui dentro?

- Não. Depois eu entro.

- Está tudo bem?

- Sim, sim. É que o mundo parece ser tão tranquilo aqui desta escada.

- Então eu vou fazer café e bebo aqui com você.

- Você vai gostar, prometo.

Ela sorriu um sorriso de domingo e foi fazer o café.

Porque o mundo e o domingo eram deles.

3 leitores:

Ever disse...

Achei muito interessantes suas crônicas, eu não sou tão entendido quando o assunto se trata de leitura, mas mesmo assim, a forma que você escreve e descreve fazem com que eu me imagine dentro da história.

Realmente gostei bastante, e faço questão de divulgar para pessoas que eu sei que vão gostar.

Parabens

Ana disse...

"Porque o mundo e o domingo eram deles."
Para sempre.
<3

IsabelVeronica disse...

Um domingo calmo, simples e bonito.

 

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