14 de dezembro de 2010

Oceano

Nu, fechou os olhos e mergulhou na própria tristeza.

Ondas de lágrimas desafiaram aos céus conforme seu corpo afundava em pensamentos sombrios e pessimistas. Com os olhos abertos, buscou a sim mesmo por trás da penumbra molhada, agitando os braços e nadando em desilusões. Esbarrou em ruínas de sonhos antigos, em decepções e fracassos, quase prendeu o pé em um de seus próprios erros. Não encontrou nada, e decidiu ir mais para o fundo, afastando-se da luz e lutando com a pressão da melancolia contra seu corpo.

Fuçou em esqueletos há tanto esquecidos, mas ainda presentes, viu feridas que julgava cicatrizadas serem abertas, desviou de retratos amarelados de paixões eternas que desencantaram e flutuavam em sua frente. Não teve muito tempo. Sentiu o peito clamando por ar. Os pulmões queimavam e o cérebro rodava conforme ele nadava de volta à superfície, batendo os braços freneticamente, agitando a água turva com suas promessas quebradas e acusações de todos os tipos.

E, com um berro de alívio, jogou-se na superfície respirando escandalosamente. Sem respostas. Sem alentos. Nunca haveria respostas, por mais que ele teimasse. Voltou para casa, sentou-se em frente ao computador e escreveu, como fazia todos os dias depois de nadar em sua própria desolação. No dia seguinte, receberia comentários e elogios, alguns perguntando de onde ele tirava estas idéias, outros questionando como ele escrevia com tanta delicadeza. Mas ele já estaria novamente submerso em seu oceano particular e amargo, não em busca de textos, mas atrás de respostas.

De uma resposta.

Que nunca viria.

4 leitores:

Charlie Dalton disse...

O fato de não ter encontrado a resposta não significa que ela não exista. Calma lá, guri! E que a força esteja com você. (Ficou meio brega, mas deixa assim.)

Feu disse...

os dois primeiros parágrafos descreveram perfeitamente o que eu estou sentindo nesse momento

Elaine Brunialti disse...

gosto muito do que você escreve...
em algumas situações lembra coisas que escrevo...
procuramos colocar em palavras nossas procuras, angustias, amores, perdas e encontros.
obrigada por partilhar!!!

Ana disse...

é, aí ele tem razão.
nunca vem mesmo.

 

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