27 de janeiro de 2010

Insônia

E, na insônia, sua mente se confundiu.

Inquieto na cama, procurava pelo corpo dela ao seu lado. Queria estar acordado com ela, tocando sua pele, cheirando seus cabelos. Queria esquecer que havia um mundo lá fora, um mundo sem ela. E, no meio dos lençóis, suado, tateava o colchão e sentia apenas o vazio.

Aos poucos, porém, sentiu o toque dela em seu braço. Abraçou-a conforme ela deitou a cabeça em seu peito e, jogando uma perna por cima das pernas dele, suspirou pronta para dormir. Abriu os olhos e ela não estava lá, percebeu que havia cochilado e sonhado.

Começou a enlouquecer.

Não queria dormir sem o corpo dela colado ao seu; mas não queria ficar acordado e, assim, não sonhar com ela. Queria ela em vida, queria ela em sonho.

Não era insônia, era saudade. Saudade do toque, saudade do beijo, saudade do cheiro e do sorriso dela, que o fazia se sentir o mais especial dos homens. Saudade de saber que uma vida inteira ao lado dela se descortinaria quando o Sol raiasse.

Procurou se acomodar na cama e tentou adormecer. Estava quase conseguindo quando um o motor de um carro, na rua, o despertou. Sentou-se na cama e acendeu um cigarro. Não queria que ela estivesse ali, queria que ela fosse ali, com ele, escondida.

Ainda no quarto escuro, escreveu o nome dela com a brasa do cigarro. Minutos depois, deu uma última tragada e jogou a bituca pela janela. Deitou-se novamente e á estava ela de novo: nua, deitada ao seu lado, com aquele perfume de paz, que só ela tinha.

De repente, tudo fazia sentido.

E numa fração de segundos, tudo perdeu novamente o sentido, quando despertou e percebeu que estava sonhando. E que, fora do sonho, ela não estava ali.

Gemeu, baixinho, de saudade. E sorriu amargo, porque nunca achou que chegaria a efetivamente gemer de saudade um dia. Deitou-se novamente, farejou o travesseiro atrás de um resquício do cheiro dela, e ao encontrá-lo, se aninhou ali.

Era bicho e aqueles poucos centímetros de tecido eram sua toca. Era homem e ali era seu mundo. Era deus e aquele pedacinho de pano era sua maior realização.

E, naufragando no cheiro dela, sorriu em silêncio e adormeceu, sem saber que, do outro lado da cidade, ela sonhava que ele estava dormindo em paz e sonhando com ela.

5 leitores:

Bia Nascimento disse...

Li e me vi nessa crônica... parece que vc traduziu mto do que eu sinto nos últimos tempos...uma saudade doida!
=)

Bia Nascimento disse...

Li e me vi nessa crônica... parece que vc traduziu mto do que eu sinto nos últimos tempos...uma saudade doida!
=)

Dani. disse...

Lindo como sempre. Triste, mas lindo.

Varotto disse...

Rapaz, vou te dizer...

O cara está um monstro.

Acabei deixando acumular umas crônicas aqui, e vejo que seu baú de idéias está transbordando. Tudo muito bom.

Então, e aí? Cadê o livro do Chronicles?

Além de poder auto-financiar uma prensagem para a venda, você já pensou em entrar em um concurso literário destes que premiam com publicação?

Nadia disse...

Estes textos tão me deixando deprimida já.

 

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