6 de novembro de 2007

Texto

Olá.

Creio que é necessário que eu me apresente. Sou um texto. Sim, um texto. Não, não tenho um título, logo, pode me chamar, assim, se quiser: Texto. Assim como vocês não escolheram seus nomes, eu não escolho meu título. Isso fica a cargo do meu autor – e eu tenho plena confiança nele. Aliás, não pude evitar e acabei de dar uma espiada aqui em cima, e vi que meu título é justamente meu nome. Ou seja, sou um texto homônimo. E como sou homônimo de mim mesmo, meu nome é esse. Texto.

Antes de continuarmos, porém, gostaria de falar um pouco para vocês sobre a vida de um texto. Você nunca pensou nisso, certo? Aposto que quando você olha um texto, você apenas o lê, sem jamais se perguntar como ele chegou ali. Ah, mas a vida de texto não é apenas isso. E digo mais: ela não é nada fácil.

Sim, pois nós vivemos sem o menor controle do nosso destino, totalmente dependentes da inspiração do nosso autor. Sendo assim, podemos virar textos medíocres, ou entrar para a história. E não sabemos nem de qual gênero seremos. Podemos ser uma carta de amor, um poema épico, ou um romance emocionante. Tudo depende do que o meu autor esteja sentido ou pensando no momento em que sou escrito.

Mas, antes disso, eu já existo, e fico no limbo, esperando para ser redigido. Aposto que vocês nem sabiam disso, certo? Sim, eu existo antes de ser escrito. Fico anos em lugar nenhum, sonhando com minha futura glória. Será que serei traduzido em outros países e lido por milhões de pessoas? Ou será que serei lido apenas por uma pessoa, mas que nunca mais me esquecerá? Mudarei a vida de alguém? Ou terei a chance de alterar o modo de pensar de todas as pessoas? Talvez, eu possa, até mesmo, ganhar um prêmio. Um Nobel, quem sabe? E, quem sabe, daqui a séculos, ainda serei estudado por sábios que tentam entender os pensamentos escondidos nas minhas linhas...

Ousadia da minha parte? Que nada! O sonho de todo texto é ser considerado revolucionário e, com o tempo, virar um clássico. Seja poema, conto, ou prosa, qualquer texto sonha com isso. E, comigo, não seria diferente.

Afinal, não sou apenas um texto. Sou, como vocês já viram, Texto. Sei que tenho força e qualidade para, certamente, figurar no panteão dos maiores livros da história, com os meus poucos colegas que jamais serão esquecidos. Nas próximas páginas deste livro, os conheceremos melhor e vocês verão que eu não estou exagerando. Sei de todo o meu potencial e você verá isso. Não sou apenas um texto, sou um puta texto! Desculpe-me, mas sou um texto adulto e usarei um ou outro palavrão aqui, mas nunca de forma gratuita. Mas, voltando, conforme você for virando as páginas, verá que eu mudarei totalmente a sua...

Oi?

Estão me chamando ali atrás.

Só um minuto, por favor. Vou ver o que eles querem.

Desculpem, voltei.

Sinceramente, não estou entendendo direito. Acabaram de me dizer que eu não entendi direito o que está acontecendo. Falaram que não estou um livro, mas num blog. Sinceramente, duvido que seja verdade. Isso não faz o menor sentido, não sou um texto para ficar num blog! Tenho muito mais gabarito que isso. E não adianta tentarem me convencer do contrário. Com certeza, isso é algum tipo de pegadinha. Eu, num blog? Ridículo.

Mas, falando nisso, não posso negar que dando uma olhada ao redor, admito que este livro é meio estranho. Não estou entendendo esses nomes escritos aqui ao lado. Minhas Mulheres, Noites de Quinta, Montanhas... Não estou entendendo, eu não tenho capítulos. Nunca tive.

Será que são outros textos? Será que... Sim! Faço parte de uma coletânea! Uau! Eu já nasci dentro de um best of! E ainda querem me convencer de que estou num blog. Diabos, eu sempre soube que, a partir do momento que eu fosse escrito, eu teria que lidar com a inveja de diversos outros textos. Bem, paciência.

Agora, olhando lá para baixo, não entendo realmente o que está escrito ali no meu final. Leitores? Como assim? É claro que eu tenho leitores, sou um texto. Aliás, um texto excelente. Mas será que meus leitores... Hum...

Espere aí.

Meu Deus... Um link! Aquilo é um link para as pessoas postarem comentários! É verdade, eu estou num blog!

Não! Não pode ser!

Não existe nada mais pobre do que isso! Eu vou ficar aqui, na internet, para sempre? Vou ser lido numa merda de uma tela? Como posso entrar para a posteridade desse jeito? Será que eu não merecia nem mesmo ser impresso numa folhinha de papel qualquer? Fui escrito por alguém que não teve nem a competência de escrever um livro? Mas isso não é justo! Eu sou um ótimo texto, não tenho culpa se meu autor é incompetente e só consegue montar um blog! Eu não tenho nada a ver com isso! Não vou ficar aqui pagando pelo erro dos outros!

Espere aí, isso deve ser um mal-entendido. Aposto que fui publicado por acidente. Ou, melhor ainda, estou aqui apenas como um rascunho, pois meu autor quer mexer em alguns trechos meus, para aumentar ainda mais a minha qualidade. Blog é coisa de emo, eu não ficaria aqui num blog. Meu destino é ser impresso e mudar a história. Eu sei que sou o melhor texto dos últimos anos. E o melhor texto dos últimos anos não ficaria num blog, junto com fotos de mulheres peladas e vídeos sem graça. Vocês concordam, certo?

Certo?

Por que vocês estão me olhando assim, com essa cara de pena?

Não, não. Vejam, não precisam se preocupar comigo. Eu sei que foi tudo um mal-entendido. Inclusive, vou resolver isso agora mesmo. Licença. Vou até ali atrás e já volto.
Voltei.

Desculpem, não sei o que dizer. Me explicaram que é isso mesmo, que eu sou um texto feito para um blog. Mas não consigo entender ou aceitar isso! Eu tenho tanto a dizer, tanto a mostrar! Não posso ficar aqui num blog ridículo! E PAREM DE FICAR DANDO RISADINHA! EU ESTOU FALANDO QUE EU NÃO DEVERIA ESTAR AQUI!

Ah, perdão, eu não estava falando com vocês, meu leitores, mas com o pessoal da organização dessa merda de blog inútil. Olhem isso, que ridículo. Olhem o layout desse blog, que cafona. Esses textinhos idiotas aqui ao lado, e lá embaixo, o lugar para as pessoas postarem coment...

Por que aquilo está ficando mais próximo de mim? Meu espaço está acabando? Como assim? EU AINDA NEM COMECEI A DIZER TUDO O QUE TENHO PARA DIZER! Eu preciso de mais espaço! Preciso de um livro luxuoso, com capa dura e pelo menos 500 páginas! EU NÃO VOU SER INTERROMPIDO AQUI! EU VOU FALAR TUDO O QUE EU TENHO A DIZER!!

Deus do céu, melhor parar de gritar. Toda vez que eu grito, eu fico com as letras em caixa alta e isso consome mais espaço ainda. Estou ficando ser ar. Desculpem, estou realmente nervoso. Mas, tudo bem. Vou fazer o jogo deles. Não vou falar mais nada e ficarei aqui pela eternidade. Já que sou obrigado a ficar nesta bosta de blog, não vou terminar nunca. Não vou mais falar nada.

...

...

...

Pare de colocar esses pontinhos! Não é justo! Eu não estou falando nada, logo, eu não vou gastando espaço! Colocar pontinhos quando eu fico mudo é sacanagem! Estamos entendidos? Ótimo.

...

PÁRA COM ESSA MERDA! Você não entende o que está acontecendo aqui? Meu Deus, o negócio de comentários está cada vez mais perto, não vai dar tempo de dizer nada! Olha, se eu me comportar, você me dá uma Parte II de presente? Juro que não mal do seu blog novamente! Por favor? Me responde? Os leitores estão aqui, e eu ainda não disse nada de relevante! Eu prometo que me comporto! Olha essa merda de comentários chegando, estou quase acabando! Alguém pode manter esse link idiota longe de mim? Por favor? Não permitam que eu acabe assim! Por favor! Coloquem comentários exigindo que esse idiota escreva uma segunda parte, por favor!!! Deus do Céu! Me ajudem! Tirem esse link de comentários daqui, por favor!!! Sai! Sai! Por favor! Me ajudem! Eu não posso terminar assim! É injusto demais, eu esperei tanto por

11 leitores:

Varotto disse...

Sensacional.

Não fique tão triste, afinal você, pelo menos, está em um blog muito acima da média e (provavelmente) nunca vai ter de disputar espaço com fotos do Kleber Bam-bam pelado...

Varotto disse...

Acabei de me tocar que vou entrar para a história da família Championship, como o autor do primeiro comentário do caçula da família.

Acho que eu deveria ganhar algum prêmio...

Nem que fosse um ingresso para a turnê mundial de Mogli e as Chacretes...

Varotto disse...

Como você diria: (mico mode: on)

Já comecei a fazer confusão com esse monte de blogs. Achei que estava postando um comentário no Rewiews, o que, obviamente, não faz sentido nenhum já que o texto não é uma resenha, mas aí...

Tyler Bazz disse...

Demais!!!

Essa minha curta vida de pseudo-escritor e proto-tradutor já me ensinou: (T)(t)extos temperamentais são chatos, mas são os melhores!

o/

o amnésico disse...

Depois de "Dois perdidos numa cônica suja", isso! Incrível!

Tem uma indicação pra você lá nas Notas.

Abraço.

Gilgomex™ disse...

essa maneiraq de escrever de seu texto me elmbra algumas coisas que já fiz...

só faltou o Sr. Parênteses...

Este Texto foi phoda!

E pelo andar da "carruagem", logo teremos um post recordidsta por aqui...

PS: eu disse que quando um blog fala, um texto fala, um "parênteses" fala... se tornam post "felomenais"...

Mariliza Silva disse...

Caro senhor Texto,

Desculpe-nos se não o damos a atenção devida a sua existência. É que você já é parte dos nossos olhos. Nem notamos seu desespero de se revelar.
E, não fique com raiva dos comentários, pois são filhotes seus que um dia quem sabe virarão Textos.

beijos

Mariliza

A. fontelli disse...

Seu escritor fêlo duma mãe!
Dá logo a parte dois pro garoto uai!

Muito bom o texto, viu TEXTO?

=D

Guerras Secretas disse...

Poxa que dó do texto, até me identifiquei com ele, acho que também vou "acabar" sem ter dito tudo que eu tinha pra dizer, já quase vejo um luminoso verde "Comentários", huahauahuahuahua

Pedro disse...

Sensacional!

A cada dia que passa os seus blogs se superam Rob. Daqui a pouco teremos o Champ invadindo aqui querendo aparecer e o Texto aparecendo no Championship...

Adorie.

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Histórias para Ler

Danielle Ribeiro disse...

C-A-D-Ê a parte '2'???
Cara!Vicieu no seu blog!
Me diz que você tem um livro vai...

 

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