11 de março de 2013

O Presente


- Gostou do seu presente?

- Gostei...

- Tem certeza? Você não parece muito feliz...

- Deixa.

- Pode falar.

- Não, deixa.

- Não. Pode falar o que você está pensando. Somos seus pais.

- É que eu não queria uma boneca. Eu queria uma bola.

- Como assim? Uma bola?

- É. De futebol.

- Mas você sempre ganhou bonecas.

- Sim. E eu gosto. Mas vocês nunca me perguntaram...

- É claro que você gosta. Você tem um monte de bonecas. Sempre brincou com elas...

- Eu sei. Mas eu também gosto de futebol. Por isso eu queria uma bola.

- Mas qual o problema em brincar de bonecas? As outras crianças...

- Nenhum. Mas desta vez eu queria uma bola.

- Mas de onde você tirou isso?

- De lugar nenhum. Eu só queria uma bola porque eu gosto.

- Bom, tudo bem. No seu aniversário, eu te dou uma bola. Até lá, continue brincando com sua boneca. Você vai se divertir muito.

- Tá...

Em momento algum, eu identifico se a criança é um menino ou uma menina. Deixo isso a critério do leitor, e apresento dois finais diferentes.

Se você quiser que a criança seja uma menina, saiba que ela foi para o seu quarto e deixou a boneca num canto, junto com as outras. E foi dormir pensando se um dia seus pais entenderiam que o motivo dela querer uma bola não era porque não gostava dos “brinquedos de menina”, mas sim porque, naquele dia, ela queria uma bola. E, no aniversário seguinte, ganhou uma nova boneca, ouvindo seus pais sexistas falarem que “bola e futebol são coisas de menino, você é menina e deve brincar com suas bonecas”, dando ênfase no deve.

Se você quiser que a criança seja um menino, saiba que ele foi para o seu quarto e deixou a boneca num canto junto com as outras. E foi dormir pensando se um dia seus pais entenderiam que o motivo dele querer ganhar uma bola não é porque achava que boneca era coisa de menina, mas sim porque, naquele dia, ele queria uma bola. E, no aniversário seguinte, ganhou uma nova boneca, ouvindo seus pais politicamente corretos falarem que “não existe mais brinquedos de meninos e meninas, você é criança e pode brincar com suas bonecas”, dando ênfase no pode.

Já o epílogo é igual nos dois casos:

As duas crianças tiveram uma infância que poderia ser mais feliz. Porque, na verdade, elas não eram sexistas tampouco politicamente corretas. Eram apenas crianças. E, como tal, queriam escolher seus próprios presentes.

2 leitores:

Varotto disse...

Extremistas.

Contribuindo para tornar a sua vida um inferno desde 300.000 AC.

Elise Garcia disse...

Cadê o botão de like no comentário do Varotto?

Eu acho toda essa polêmica do politicamente correto uma grande besteira. Eu admito que falei pro meu irmão que não é pra ficar dando geladeirinha ou fogãozinho pra minha sobrinha, mas isso não quer dizer que se ela me pedir, eu não vou dar...

 

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