18 de julho de 2012

Nulo


Primeiro, desapareceu das fotos. As outras pessoas continuavam ali nas imagens, sorrindo em sábados de Sol ou posando em festas de aniversário. Mas, em seu lugar, um vazio natural, como se nunca tivesse feito parte daqueles momentos, muito menos daqueles sorrisos.

Em seguida, suas letras começaram a sumir. Textos publicados desapareceram para todo o sempre, enquanto bilhetes e cartas rabiscadas à mão, guardadas nas gavetas, se transformaram em papéis em branco, ainda imaculados de segredos e promessas de amor.

Depois foi a vez do seu rastro. Roupas, lençóis e toalhas que possuíam seu cheiro tornaram-se novos em folha, como se ainda vivessem dentro de lojas, aguardando um perfume novo que os dominasse e lhes conferisse uma identidade e lembranças de seu novo dono.

Finalmente, foi a sua vez. Não foi rápido, nem demorado. Apenas sumiu. Tornou-se invisível, sem sombra e sem calor, sem alma ou voz. Passado e futuro deixaram de existir, tornando-se parte de um eterno presente que nunca mais seria visto ou compartilhado.

E com o tempo, abandonou as lembranças de todos que conhecera. Sem perceber, amigos e amantes, conhecidos e inimigos, deixaram de conhecê-lo e de sabê-lo. Sumiu de memórias, sumiu das histórias, sumiu da saudade. Assim, tornou-se apenas um nada que nunca existira.

Foi quando desapareceu por completo.

3 leitores:

Natalia Máximo disse...

Às vezes é bom sumir, mesmo quando gera um pouco de melancolia, como senti nesse texto. Mas tá lindo!

cmmarcondes disse...

Simplesmente...
FODA!

É nos espaços onde a mágica acontece, não?

Abraços de um fã!

Thiago Oliveira disse...

A morte, apenas o fim.

 

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